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O Rei da Escusa

04.07.16

“Mãe, lembras-te do Rei da Escusa?” perguntou a filha no outro dia. “Claro que me lembro!” respondi eu. Então não me havia de lembrar?... o Rei da Escusa foi o amigo imaginário da minha filha quando ela tinha cerca de 3 ou 4 anos!

Ele foi hóspede em nossa casa durante algum tempo (já não sei precisar quanto tempo) e aparecia nas mais diversas situações. Aparecia para brincar com ela, aparecia, às vezes de surpresa, para fazer alguma refeição lá em casa. Outras vezes aparecia com aviso prévio e a filha pedia “posso pôr um lugar na mesa para o Rei da Escusa?”. O Rei da Escusa foi muitas vezes tema de conversa durante esse tempo, com a filha a contar as suas histórias e aventuras. De vez em quando até púnhamos um lugar à mesa para lhe fazer a vontade ou mudávamos de lugar no sofá para não nos sentarmos ao colo do Rei! Mas confesso que às vezes respondia “filha, sabes que o Rei da Escusa só existe na tua imaginação, não sabes?” Não pretendia destruir os seus sonhos de criança, acabar com o poder da imaginação  nem foi a falta de paciência para pôr mais um lugar na mesa. Apenas achava necessário chamá-la à razão e não a deixar levar demasiado longe a dicotomia imaginação / realidade.

Penso que durante a sua visita, o Rei da Escusa fez o seu papel no crescimento da minha filha, no desenvolvimento das suas emoções e criatividade e a ajudou a expressar medos, alegrias, inquietudes e desejos. Mas, tão naturalmente como entrou nas nossas vidas, o Rei da Escusa acabou por sair. Foi sendo gradual e naturalmente esquecido com o passar do tempo...

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Como mãe de duas crianças conheço alguma programação do Canal Panda ao Disney Channel, passando pelo Disney Junior. Conheço das séries mais infantis  às mais juvenis. Por isso quando no outro dia o meu filho me falou no “oto automático” do Ryder, eu pus o meu dicionário filhos / mãe a funcionar e percebi que ele falava do desenho animado da Patrulha Pata e estava-se a referir ao piloto automático do Ryder. Apressei-me a corrigi-lo e disse do alto da minha sabedoria de adulto: “não é oto automático; é pi-lo-to automático”. Silêncio...

A resposta não tardou e chegou em forma de pergunta: “eu é que mando na minha imaginação, não é?” respondi que sim, claro. “Então na minha imaginação eu posso dizer oto automático; eu é que mando”

E não é que tem razão! Porque é que tive logo o instinto de condicionar a imaginação. De dizer que não é assim, é assado. Claro que não vivemos no mundo da fantasia e as coisas não são todas como queremos ou feitas à nossa medida. Mas, se não for na infância, quando vai ter muitas mais oportunidades viver a imaginação e o faz de conta? É saudável e desejável que tenha capacidade de imaginar, criar, brincar ao faz de conta, sem estar sempre a ser censurado ou corrigido. Claro que é importante não perder a noção da realidade. Deve saber que se diz piloto automático mas pode querer dizer “oto automático”. Desde que perceba a diferença e saiba distinguir a realidade da imaginação.

“Mãe? Quando for adulto posso-me lembrar da minha imaginação?” Silêncio... outra vez (desta vez foi meu). E a resposta chegou com alguma emoção “Sim, filho. Nunca te esqueças da tua imaginação, especialmente quando fores adulto!”

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