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Com o segundo filho há questões que já não se põem. As vivências que temos com o primeiro trazem-nos (na maioria das vezes) a sabedoria e a experiência necessária para saber passar por elas a segunda vez. Isto aplica-se a quase tudo na vida dos filhos, desde as doenças, os dentes, até a coisas aparentemente mais triviais como as festas de aniversário!

A sério, não estou a brincar! As festas de aniversário dos amigos do segundo filho foram uma surpresa para mim. Quando a filha mais velha começou nestas andanças das festa dos amigos era normallevá-la à festa,deixá-la lá na vida dela e ir buscar à hora combinada… simples! A filha conquistava alguma autonomia enquanto se divertia num contexto diferente do da escola ou da família e nós, os pais, aproveitávamos para tomar um café todos juntos, conviver um pouco ou tratar de algum assunto.

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Com o filho mais novo a logística é um pouco diferente, os pais e as mães têm por hábito ficar nas festas de aniversário dos amigos filhos. Até percebo, o convívio entre os pais, um bocadinho de conversa, falar sobre quão maravilhoso cada um dos nossos filhos é… Uma tarde bem passada! Só que às vezes também temos que saber quando nos afastar, quando devemos dar um pouco de espaço aos filhos para crescer, para ganhar um pouco mais de autonomia.

Eu confesso que às vezes também fico nas festas do filho mais novo por várias razões, sejam elas as que já mencionei acima ou porque vejo acho que a festa está pensada para os pais acompanharem os filhos outra coisa qualquer. Mas, se vejo que está tudo em ordem e que a festa é mesmo só para as crianças e que os adultos não fazem lá falta nenhuma, deixo-o na festa sozinho. Ele brinca e aproveita à vontade, ganha um pouco de autonomia num espaço diferente com pessoas diferentes. Para mim também é uma aprendizagem porque aprendo a dar e a respeitar o espaço e o tempo deles, que tanto precisam! E confesso que aproveito uns momentos sozinha o que me ajuda a recuperar forças até ir buscar a “fera” novamente. Sei que não sou a única que penso assim e, sobretudo, que não gosto menos deles por o fazer!

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Muito se tem falado ultimamente na alimentação das crianças e no aumento da taxa de obesidade infantil. Sou o mais possível a favor… da alimentação saudável, claro! É um tema actual para o qual todos devem estar atentos e seguir as recomendações dos especialistas. Mas hoje é outro tipo de alimentação que me fez vir aqui escrever umas palavras: a alimentação da auto-estima.

A auto-estima pode ter vários significados que vão variando consoante o contexto e o autor que a define. Após uma breve pesquisa sobre o assunto, a explicação que mais me satisfaz é que a auto-estima é a apreciação que cada um faz de si mesmo. Espera-se que esta seja positiva, pelas mais diversas razões e para evitar um sem número de problemas que não quero (nem é da minha competência) aqui enumerar. O que me apetece falar hoje é sobre a alimentação dessa auto-estima.

Da mesma forma que dizemos “ninguém nasce ensinado”, também podemos dizer que ninguém nasce com auto-estima! É um processo em que se vai adquirindo (idealmente) à medida que vamos crescendo e desenvolvendo, através das experiências que temos e das pessoas com quem contactamos, especialmente ao longo da nossa infância. As crianças vão criando auto-imagens baseadas sobretudo nas interacções com as pessoas significativas que as rodeiam.

Por isso é que eu digo que podemos e devemos alimentar a auto-estima das nossas crianças. Não o façamos através de facilitismos ou de elogios sem significado. De cada vez que uma criança dá um passo ou faz um risco no papel, não vamos dizer que ela faz tudo muito bem ou que é especial e melhor que as outras. Assim só vamos criar totós que acreditam que não precisam de se esforçar ou trabalhar para obter alguma coisa. Cá em casa, por exemplo, levantar a mesa não dá direito a elogios e palmas, dá direito a um agradecimento pois todos colaboram nas tarefas caseiras.

Devemos, isso sim, recompensar com elogios e reconhecimento o verdadeiro esforço, a conquista de algo realmente importante, quer seja ter subido mais um tronco da árvore que nunca tinha conseguido antes ou ter realizado alguma tarefa realmente importante, enquadrada sempre na idade e desenvolvimento da criança. A forma como se critica e o de dizemos é igualmente importante. Corrigir sem humilhar e chamar a atenção sem agressividade, estabelecer limites bem definidos mas justos são também boas ideias para alimentar a auto-estima.

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Não me interpretem mal: cá em casa sabemos e gostamos de elogiar, não acreditamos no “tough love” e em conceitos tipo “não fazem mais do que a obrigação deles!” Agora, há o elogio fácil e constante que só transmite às crianças a ideia “eu sou tão bom que nem preciso de me esforçar para fazer nada” e há o elogio merecido e feito apenas na hora certa. O último, acredito eu, transmite a mensagem que o esforço compensa, além de alimentar verdadeiramente a auto-estima. É nesse que acreditamos e é esse que praticamos. 

 

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Das coisas mais difíceis de explicar às crianças são as relações de parentesco. Explicar porque é que uns são primos, outros são tios-avós ou mesmo o que são sobrinhos pode ser uma dor de cabeça. Já para não entrar no campo dos cunhados ou das noras… e explicar que a mesma pessoa pode ser ao mesmo tempo sobrinho, filho, primo e neto! Até eu já me perdi na explicação, quanto mais eles…

Agora mais a sério! A família é o primeiro meio onde estamos inseridos socialmente (na maioria dos casos) e isto é de extrema importância. Pois é na família que temos as primeiras experiências afectivas, as primeiras representações, os primeiros juízos e expectativas e onde se aprendem e incorporam os padrões de comportamento, atitudes e valores. Na família sentimos que pertencemos a um lugar, que temos uma história, que fazemos parte de algo. Ajuda-nos a entender de onde vimos e a projectar para onde queremos ir.

As famílias não são necessariamente unidas por laços de sangue. Podem ser unidas por outros laços tão importantes como amor, carinho, respeito e por aí fora. Quer os laços de sangue, que os afectivos ou sociais não são mutuamente exclusivos. No fundo, o que interessa é que as famílias funcionem cada uma à sua maneira e com as suas especificidades e particularidades. Deixemos nos guiar mais pelos afectos e não tanto pela mania de compartimentar e etiquetar as relações e as pessoas.

o livro da família_todd parr.pngSe no fim disto tudo ainda têm dificuldade em explicar a família às crianças, deixo-vos uma sugestão de um livro hilariante e muito explicativo sobre o tema. Vale mesmo a pena, é O Livro da Família, escrito e ilustrado por Todd Parr.

Feliz Dia da Família hoje e… sempre!

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Que duas palavras tão grandes e tão chatas para uma leitura que se quer cada vez mais rápida e descontraída! Mas tenham paciência… hoje deu-me para falar disto. “Mas porquê?!” perguntam e eu respondo: há uns dias fui contactada por uma pessoa de família para a ajudar num trabalho da faculdade sobre este tema. Combinámos a entrevista para daí a uns dias e enquanto não chegou o dia andei com o tema às voltas na minha cabeça, ciente do peso da responsabilidade! Pensei, puxei pela minha cabeça… mas o que havia eu de dizer sobre o tema? Sendo da área da educação há tantos anos e mãe de dois filhos certamente hei de ter muita coisa a dizer sobre o assunto!

Como é um assunto tão vasto e com tantos “caminhos” possíveis, o que me apetece reflectir é o seguinte: educação e cidadania não se ensinam, transmitem-se, educam-se, mostram-se através do exemplo. Não se aprendem, descobrem-se, assimilam-se, sobretudo através do exemplo.

O que parece tão simples temos tendência a complicar! Por muitos discursos que faça, por muitos livros de leia aos filhos sobre o tema ou por muito que e que e que… se nós como pais, família, escola, comunidade educativa e sociedade em geral não dermos o exemplo, não serve de nada. De cada vez que dizemos “não sei onde vai parar esta geração” e pararmos para pensar, podemos ver claramente que vai para onde nós os estamos a encaminhar; vai percorrer o único caminho que nós lhes estamos a mostrar.

Antes de sermos “rápidos no gatilho” a acusar esta geração, crianças, adolescentes e jovens, devemos olhar bem para nós próprios e pensar bem nos nossos comportamentos. Da próxima vez que levarmos as crianças a qualquer lado, desde o estádio de futebol, à escola ou ao parque a brincar devemos pensar bem na forma como agimos e nas coisas que dizemos. Por sermos nós a mostrar o caminho às futuras gerações, já agora era bom ter um pouco mais de cuidado!

Por isso, espero que te tenha ajudado no teu trabalho da faculdade e aproveito para te agradecer a oportunidade de reflectir sobre este tema. Sabes, é que às vezes ando um pouco distraída e é sempre bom quando temos oportunidade de desacelerar um bocadinho e reflectir sobre as questões realmente importantes!

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